Lewis Hamilton voltou a público para assumir integralmente a responsabilidade pelo tropeço estratégico que lhe custou uma posição no pódio no GP de Singapura. O britânico, que corria em terceiro lugar, ignorou uma ordem da Ferrari para fazer a dobradinha nos boxes atrás do companheiro Charles Leclerc durante o período de safety car virtual, uma decisão que se mostrou desastrosa e o fez terminar apenas em sexto.
O erro que custou caro em Marina Bay
A ideia de Hamilton era clara: permanecer na pista com os pneus macios usados para tentar viabilizar uma estratégia de um único pit stop e assim assegurar a segunda colocação. Em um circuito urbano notoriamente difícil para ultrapassagens, qualquer vantagem posicional costuma valer ouro. O problema é que os pneus já não tinham desempenho suficiente para sustentar o ritmo até o fim da prova. O resultado foi uma deterioração rápida que abriu as portas para rivais que apostaram em dois pit stops.
Leclerc, o companheiro de equipe que deveria ter feito a dobradinha com Hamilton, passou com facilidade, assim como Kimi Antonelli, da Mercedes, e a dupla da McLaren formada por Lando Norris e Oscar Piastri. O heptacampeão mundial, aos 41 anos, viu sua prova desmoronar nas voltas finais e fechou em sexto, um resultado muito aquém do potencial que o carro havia demonstrado ao longo do fim de semana.
Pedido de desculpas e responsabilidade assumida
Ainda durante a corrida, pelo rádio, Hamilton já havia reconhecido o erro junto à equipe assim que a bandeira quadriculada caiu. O chefe da Ferrari, Fred Vasseur, confirmou posteriormente que o piloto não obedeceu à chamada para os boxes. Como precisou passar pelo centro médico da FIA logo após a corrida, Hamilton não pôde falar imediatamente com a imprensa, mas optou por se manifestar horas depois em suas redes sociais.
"Ontem não foi o resultado que buscávamos, e a responsabilidade é minha", escreveu no Instagram. O britânico explicou que, em uma pista onde ultrapassar é extremamente complicado, sentiu que precisava tentar algo diferente, mas reconheceu que a escolha "simplesmente não funcionou". Classificou o episódio como "uma lição dolorosa de aprender", reforçando que assume por completo as decisões tomadas e que, no automobilismo, nem toda aposta estratégica dá certo.
Hamilton também fez questão de elogiar o trabalho da equipe ao longo do fim de semana, afirmando que o sexto lugar não refletia o ritmo real que o carro apresentou, além de agradecer à torcida presente em Singapura pela energia nas arquibancadas.
Olhos postos no Circuito das Américas
A Fórmula 1 segue agora para o Grande Prêmio dos Estados Unidos, disputado no Circuito das Américas (COTA), em Austin, no próximo fim de semana. O traçado tem um significado especial para Hamilton: ao longo da carreira, ele venceu por cinco vezes ali e somou mais quatro pódios, fazendo de Austin um dos palcos mais favoráveis de sua trajetória.
Foi justamente em COTA, aliás, que Hamilton obteve seu melhor resultado na temporada de estreia pela Ferrari em 2025, com um quarto lugar. Depois do revés em Marina Bay, a expectativa é de que o britânico utilize o histórico positivo no circuito americano como ponto de partida para reagir e tentar devolver à Ferrari os pontos perdidos em Singapura.