A France Football criou um novo capítulo na disputa simbólica pelo título de maior jogador da história do futebol. A revista francesa lançou a B.O.A.T - uma brincadeira com a sigla G.O.A.T., usada para definir o "maior de todos os tempos" - para que o público escolha, por votação popular, quem é o maior vencedor da Bola de Ouro já premiado. A iniciativa reacende debates sobre legado, critérios de elegibilidade e o próprio peso histórico do prêmio.
Como funciona a votação
Concorrem apenas jogadores que conquistaram a Bola de Ouro oficial pelo menos duas vezes, o que já reduz a lista a um grupo seleto de lendas do futebol europeu e sul-americano. O público pode votar até 27 de outubro de 2026, às 19h59 no horário de Brasília, mediante cadastro no site oficial da cerimônia. O voto exige o pagamento de um euro, equivalente a cerca de R$ 5,60. Quem se cadastrar também concorre a dois ingressos para a 71ª edição da cerimônia da Bola de Ouro, marcada para 2027.
Cristiano Ronaldo lidera, mas Messi tem mais troféus
Segundo informações do "ge", Cristiano Ronaldo, cinco vezes vencedor da Bola de Ouro, lidera a votação popular com 62% dos votos até o momento. O dado chama atenção porque Lionel Messi, dono de oito Bolas de Ouro - recorde histórico do prêmio -, concorre na mesma lista, mas aparece atrás do português na preferência do público. A disputa evidencia que a votação da B.O.A.T. mede percepção e identificação do torcedor, não apenas números de troféus.
Completam a lista de concorrentes outros nomes históricos: Johan Cruyff e Michel Platini, ambos com três conquistas, Marco van Basten, também com três, além de Alfredo Di Stéfano, Franz Beckenbauer, Kevin Keegan, Karl-Heinz Rummenigge e Ronaldo Nazário, todos com duas Bolas de Ouro cada.
Por que Pelé e Maradona ficaram de fora
A ausência de Pelé e Diego Maradona na lista gerou repercussão, mas tem explicação histórica clara. A votação da B.O.A.T. não busca eleger os maiores jogadores da história do futebol de forma ampla - ela se restringe a quem venceu oficialmente a Bola de Ouro ao menos duas vezes. Pelé nunca recebeu o prêmio durante a carreira, já que até 1994 ele era restrito a jogadores europeus. Em 2015, a France Football fez uma revisão histórica e reconheceu que o brasileiro teria conquistado sete edições caso os critérios atuais já existissem naquela época, mas esse reconhecimento retroativo não conta como título oficial para efeitos da votação.
Maradona enfrentou a mesma barreira regulamentar. Mesmo brilhando por clubes europeus, o argentino não podia concorrer ao prêmio por não ser europeu, regra que só foi revista décadas depois. O caso dos dois ícones expõe uma limitação estrutural do formato da B.O.A.T.: ela reflete o histórico oficial do prêmio, não necessariamente o consenso sobre grandeza esportiva.