O comissário da Major League Soccer, Don Garber, não escondeu o entusiasmo diante da possibilidade de Harry Kane desembarcar nos Estados Unidos. O atacante do Bayern de Munique e capitão da seleção inglesa admitiu recentemente que consideraria uma mudança para o futebol americano no futuro, declaração que bastou para acender a imaginação da liga e de seu principal dirigente.
Um sonho de longa data para a liga
Para Garber, atrair um jogador do calibre de Kane representaria a concretização de um projeto que remonta à fundação da MLS. Segundo o comissário, a ideia sempre foi construir uma competição capaz de fazer "os Harry Kanes do mundo" quererem jogar nos Estados Unidos, não como destino de aposentadoria, mas como escolha genuína em plena capacidade competitiva. "Acho que, para mim, isso é a realização do sonho que tínhamos de construir uma liga de futebol de verdade que impulsionasse uma nação do futebol", afirmou Garber, em declaração reproduzida pela ESPN.
O comissário destacou que a chegada de Lionel Messi ao Inter Miami, em 2023, funcionou como prova de conceito. Segundo ele, a liga conseguiu criar uma dinâmica atrativa o suficiente para convencer o argentino a não retornar ao Barcelona nem aceitar propostas milionárias da Arábia Saudita - um argumento que Garber usa agora para sustentar a viabilidade de um movimento semelhante envolvendo Kane.
Momento de Kane e o caminho até os EUA
Aos 33 anos, Kane vive fase de excelente produtividade tanto pelo Bayern quanto pela Inglaterra. Recentemente, o atacante alcançou sua 125ª partida pela seleção inglesa, marcando o 91º gol internacional da carreira, diante da Tchéquia. Números que reforçam por que seu nome desperta tanto interesse, inclusive fora do futebol: o interesse declarado de Kane pelos Estados Unidos já havia gerado especulações sobre uma eventual incursão na NFL como kicker, hipótese que ele próprio não descartou totalmente ao falar sobre seus planos de longo prazo.
Apesar disso, Garber deixou claro que sua preferência é ver o inglês atuando na MLS antes de qualquer aventura em outro esporte. A liga enxerga na contratação de um astro em plena forma, e não apenas no fim de carreira, um sinal de amadurecimento competitivo.
O legado de Beckham e o efeito Messi
Garber, que deixará o cargo de comissário para assumir a presidência da MLS ainda neste ano, fez questão de recordar o papel histórico de David Beckham na transformação da liga. A chegada do ex-meio-campista do Manchester United ao LA Galaxy, no auge da carreira, é apontada por Garber como o marco que deu credibilidade internacional à competição e abriu caminho para nomes como Thierry Henry.
"David colocou esta liga no caminho da credibilidade e do respeito. Ele chegou à Major League Soccer e mostrou ao mundo que esta liga pode ser competitiva, pode ser respeitada, pode ser divertida, pode ter grandes jogadores", disse Garber. Para o dirigente, sem Beckham dificilmente a MLS teria evoluído até o ponto de atrair Messi, e sem Messi a liga não teria se tornado o fenômeno global que é hoje, com presença constante no imaginário futebolístico mundial.
Crescimento fora de campo, desafio dentro dele
Desde que assumiu o comando da liga em 1999, Garber acompanhou a transformação dos Estados Unidos no maior mercado comercial do futebol mundial, impulsionado por investimentos, parcerias e pela chegada de estrelas internacionais. O próximo passo, segundo o próprio dirigente, é traduzir essa força econômica e midiática em resultados esportivos consistentes diante dos grandes clubes da Europa e da América do Sul - um objetivo que a eventual chegada de Harry Kane ajudaria a aproximar, ao menos simbolicamente, de se tornar realidade.